
No Sul do México, na região de Oaxaca, Mateo é um jovem de 17 anos que planeia migrar para os Estados Unidos e, para se assegurar que tudo irá correr bem, tenta entrar no gang local que tem ligações para onde vai. Los Ángeles começa com uma prova iniciática, com Mateo a ser espancado pelos membros desse gangue, com o objetivo de apurar se tem a força e a resistência necessárias para fazer parte dele. Apesar de a cena ser apenas construída pelo som e a imagem a negro, a violência da realidade do México, controlada por gangs criminosos, impõe-se e vai manter-se até ao final do filme.
Este é a primeira longa-metragem de Damian John Harper, que trabalhou uns anos antes com esta mesma comunidade, aquando a sua licenciatura em Antropologia, e vê-se a influência dessa sua experiência na construção do argumento. A complexidade das relações sociais e familiares, a realidade da migração (dos que foram, dos que lá estão, dos que voltaram e dos que ficaram), as línguas que usam uns com os outros, tudo contribui para uma riqueza que ajuda à solidez da história contada. Utilizar atores não-profissionais ajuda também a manter um realismo que a câmara de Friede Clausz vai construindo com cada imagem.
Se bem que não tenhamos ainda tido oportunidade de ver a realidade desta comunidade e os seus problemas antes, há, na história central, algo já bastante conhecido: a iniciação ao mundo do crime, as reticências e os problemas que levanta, já foram tema de muitos filmes e não se pode dizer que Damian John Harper tenha conseguido ser verdadeiramente original, ainda que tenha conseguido evitar alguns dos clichés mais abusados no género. Ainda assim, este é um filme sólido, muito bem construído e com um grau de realismo que falta a tantos outros.
O Melhor: A construção do filme; a imagem; Mateo Bautista Matías, que consegue mostrar força e fraqueza de uma forma desarmante.
O Pior: Parte da história central é já bastante conhecida, com vários filmes a terem sido feitos sobre o mesmo tema.

João Miranda

