«Muppets Most Wanted» (Marretas Procuram-se) por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

Após um pé dentro da sala, o espectador tem que ter a noção de algo bastante crucial – não vão estar perante de nenhuma obra de Bergman. Por outras palavras, todo o intuito de Os Marretas, como todo o seu historial como show televisivo, e não só, é apenas o de entreter, custe que custar, seja por via de canções, gags e uma vastidão de cameos de luxo.

Depois de uma ressurreição agradável e nostálgica no grande ecrã em 2011, os fantoches prediletos do seu criador, Jim Henson, regressam novamente sob as rédeas de James Bobin e com ele a modéstia da sequela logo após os créditos iniciais. “Vamos procurar um enredo aceitável” ou “Não vai ser melhor que o original“, cantarola o Sapo Cocas e a sua gangue, enquanto os críticos (os fantoches, para que não se caia no erro) entram em hilariante pânico.

Sim, a verdade é que a sequela não é melhor que a sua muito antecipada aparição em 2011, não por falta de meios ou gags certeiros, mas pela ausência daquilo que a primeira incursão de Bobin possuía, o seu coração. Sente-se a ausência de momentos como os de “Man or Muppet” ou aquele existencialismo leve e familiarmente aceitável, aquele toque que consegue por momentos separar o humor non sense das cantorias sucessivas com a ternura nostálgica significativa para quem cresceu de perto estes fantoches.

Porém, não julguem que o espectáculo aqui é medíocre. Tomara que grande parte das comédias de Hollywood fossem assim divertidas, descontraídas e ocasionalmente geniais (um sósia de Cocas com tiques de DeNiro, por exemplo). E apesar deste ser um “episódio” para conquistar novos fãs, um nova geração e, claro, rentabilizar ao máximo os bonecos protagonistas, como “feel-good movie” esta sequela está no caminho certo, sendo ainda importante referir os incalculáveis cameos de luxo, numa colecção que angaria personalidades como Christoph Waltz, Usher, Salma Hayek, Danny Trejo, Ray Liotta e James McAvoy. Para quando um filme a solo da dupla de críticos?

O Melhor – continua a ser um espetáculo agradável munido de gags certeiros.
O Pior – falta-lhe um toque mais sentimental, não entre personagens mas com o espectador.


Hugo Gomes

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