
Haewon é uma aluna que se vê envolvida com um professor e, apesar dos esforços que ambos dizem fazer, não consegue definir a relação ou o seu fim. Nobody’s Daughter Haewon é o novo filme do realizador Hong Sang-soo, que ainda o ano passado teve o In Another Country, com Isabelle Huppert, nos nossos cinemas. Uma história simples sobre uma jovem, sem a mãe por perto, a tentar navegar um mundo de relações que nem sempre quer e/ou nem sempre são positivas para si.
Este é um filme que não está muito preocupado com a narrativa ou com a técnica, todo o seu foco é na Haewon titular. Isso pode ser um pouco frustrante, porque procuramos mais na história do filme e, apesar de não ser obviamente anti-narrativo, esta acaba por saber a pouco. Sim, a personagem principal é interessante e está bem construída e completa, mas não nos basta conhecê-la, algo tem de acontecer. Outro aspecto que pode contribuir para essa frustração é a estrutura utilizada: há vários falsos “arranques”, com o dispositivo do sonho permitindo ao realizador dar a conhecer melhor a personagem, mas voltar atrás na narrativa. Este é um dispositivo que pode, se abusado, irritar muita gente (veja-se o final de “Lost”) e que aqui acaba por contribuir para que se saia da sala com a sensação de se ter sido defraudado, com um fim demasiado curto e atabalhoado para fazer qualquer sentido.
A técnica é algo que também deixa a desejar, com zooms estranhíssimos, já característicos deste realizador, e uma sensação contínua de improvisação que, com tão poucos resultados no final, acaba por ir causando algum desinteresse no filme. Na sessão a que assisti algumas pessoas começaram a rir-se do filme, acabando o patético procurado pelo realizador por ser só ridículo. Torna-se difícil perceber como pode ter sido este filme como um dos melhores do ano passado pela Cahiers do Cinema.
O Melhor: A personagem central e a forma como são construídas as relações.
O Pior: Há um ar de improvisação e de amadorismo que se torna fastidioso.

João Miranda

