«Mr. Peabody & Sherman» por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

Muito se tem debatido sobre a adoção e a coadoção, não só em Portugal como também no resto do Mundo. Agora, e neste Mr. Peabody & Sherman, chega-nos um insólito caso: o direito de adoção por parte dos cães. É sob esta mensagem subliminar que muitos não irão constatar que surge a premissa desta nova aventura animada da Dreamworks, do mesmo realizador e argumentista de O Rei Leão, Rob Minkoff.

Baseado numa série animada, que foi exibida entre os anos 50 e 60, onde um cão super-inteligente e o seu menino adotivo viajavam pelo tempo graças a uma maquina denominada The Wayback, conhecendo as diferentes e incontornáveis personalidades da História, Mr. Peabody & Sherman (o filme encontrava-se em desenvolvimento desde 2007) pode funcionar nos dias de hoje como uma crítica ao burocrático sistema de adoção em jeito moralismo (com novamente a proteção de menores a operar como “mau-da-fita”).

É claro que todo este “recheio” é desenvolvido sob discretas sombras – Minkoff já havia aprofundado a questão mais a fundo com o seu Stuart Little em 1999 – enquanto o filme concretiza uma hiperativa aventura repleta de referências históricas e até cinematográficas (existe uma sequência que satiriza o estilo visual de 300 de Zack Snyder, por exemplo) que deliciarão certamente os mais novos.

Quanto aos adultos, estes terão motivos suficientes para partilhar o dito fascínio, principalmente os velhos fãs da série original produzida por Jay Ward, delírio completo perante tal cenário nostálgico envolvido com gráficos sofisticados. Não será certamente a animação do ano, nem a criatividade em pessoa, mas entretém o quanto basta para sair da sessão com um singelo sorriso.

O melhor – Não defrauda a memória da série original
O pior – Da Dreamworks Studios já vimos bem melhor


Hugo Gomes

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