«Non-Stop» por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

Após o competente Unknown: Sem Identidade em 2011, Jaume Collet-Serra volta pegar na mesma fórmula de sucesso em Non Stop, um thriller onde as influências hitchcockianas e a estrela de ação, Liam Neeson, voltam a dar cartas. Decorrido maioritariamente dentro de um avião com o trajeto Nova Iorque – Londres, onde o nosso protagonista tentará impedir um sequestro aéreo, esta é uma obra de momentos passageiros, envolvendo inicialmente num clima de suspense bem arquitectado que vai perdendo “gás” perante as incoerências da sua própria intriga.

Assim, o filme revela-se um novo ensaio de Neeson no seu ego adquirido desde Taken: Busca Implacável, de Pierre Morel, um sensato mas ao mesmo tempo frágil herói de um intelecto invejável e habilidades de luta difíceis de ultrapassar, que são os mesmo ingredientes que compõem as diversas obras de acção que o cinema sempre nos presenteou. Contudo, o ator cinquentão possui carisma suficiente para dar e vender. Infelizmente, Liam Neeson não consegue salvar este filme de “se despenhar”, confluindo todas as potenciais vertentes de um thriller engenhoso e transformando-as numa veneração à sua pessoa. Veneração essa, que é motivo que baste para que Non Stop se torne num êxito garantido, sacrificando a sua matéria prima (que até demonstra um eficiente estudo à matriz do thriller mais clássico) e tornando o restante elenco em descartável e por vezes inútil, como Julianne Moore no seu pior desempenho e a recentemente galardoada Lupita Nyong’o reduzida a um mero adorno figurante.

Resumidamente, Non Stop de Jaume Collet-Serra ilude e desilude. Não é o exercício hiperativo que se prometia nem tem astúcia. É sim outra episódica aventura de Liam Neeson, que após experimentar a ação não quer outra coisa.

O Melhor – Liam Neeson apesar de tudo. O arranque da premissa
O Pior – prefere ser matreiro, mas culmina em incoerências


Hugo Gomes

Últimas