
Baseado numa BD homónima de Pénélope Bagieu, Joséphine poderá ser visto como uma variação francesa da Bridget Jones. Contudo, esta versão cinematográfica funciona como uma veneração às referências e aos códigos do cinema norte-americano (com Woody Allen visto como um Deus dessa mesma cultura cinematográfica). O enorme problema da nova fita de Agnès Obadia (Romaine) é de facto esta não conseguir fazer prevalecer a sua identidade. Devido a isso, o que era suposto de início ser uma comédia francesa bem-disposta, torna-se na enésima aspiração aos modelos de Hollywood.
Joséphine não será a primeira nem a ultima produção gaulesa a sofrer de tal síndroma, mas este fenómeno de homogeneização (podem muito bem culpar a globalização e a predominância do mercado norte-americano) já começa de certa forma a irritar, principalmente fora dos territórios de Tio Sam e gravemente num país “berço” da 7ªArte.
Esta moralista história de que a “mentira tem perna curta” até reservava curiosas ideias, perdidas, no entanto, nas preocupações primárias dos produtores. Assim sendo, temos gags que se adivinham a léguas, uma banda sonora que mais soa como uma colectânea de êxitos pop e uma protagonista (Marilou Berry) mais preocupada em transmitir a sua imagem de “patinho feio” do que supostamente o que sobra do filme às costas. Mesmo que a atriz não tenha sido a escolha mais acertada para esta comédia, ela é, apesar de tudo, a matriz de um filme despido na composição dos seus personagens secundários, todos eles caindo no estereotipo, no descartável ou no simples cinismo modelar. Ou seja, Marilou Berry encontra-se sozinha perante uma equipa desequilibrada e de pouca relevância para a história.
Colorido, formatado, fútil e sem um pingo de graça (nem cair no engraçado serve), Josephine é mais um daqueles filmes franceses comerciais sem qualquer respeito ao seu código genético, muito menos ao divertido humor gaulês, que se perde na vulgaridade. Não vale a pena perder tempo aqui.
O Melhor – Um gag ou outro, mas sem relevância
O Pior – Com tantas boas obras que são produzidas na França, o porquê de constantemente estar a estrear filmes destes nas nossas salas de cinema? Será que por sermos tão dependentes à formula norte-americana?

Hugo Gomes

