
Vicenzo Natali é o filho pródigo do Fantasporto: venceu-o duas vezes (com a sua estreia Cube e com Nothing) e esteve presente com muito sucesso outras duas (com Cypher e com a sua produção mais ambiciosa, Splice). Portanto, a presença de Haunter, o seu novo filme, no Fantas é para além de uma tradição algo rodeado de expetativa.
Infelizmente, Haunter é um filme menor na sua carreira, como as críticas como entusiasmantes depois da sua estreia no SXSW o davam a enteder. O filme começa como uma espécie de Feitiço do Tempo com fantasmas: Lisa Johnson (Abigail Breslin) é uma jovem adolescente que vive o mesmo dia em “loop” na casa dos seus pais, da qual não pode sair devido a um nevoeiro terrível. Depressa ela percebe que algo mais sinistro está em jogo: pequenas variações vão surgindo de dia para dia e, quando ela desafia a ordem das coisas, um misterioso homem aparece-lhe à porta.
O “setup” do filme é interessante e Natali consegue desenvolver a história de forma sóbria e por vezes inteligente – no entanto, todo o filme surge como uma produção menor. Com uma linguagem muito modesta e totalmente desprovido de atitude (não temos pesadelos genéticos como em Splice, armadilhas originais como em Cube ou um setup impossível como em Nothing), Haunter é um filme de fantasmas vulgar, com um ou outro apontamento mais curioso, mas nada que vá ficar na memória.
O melhor: A ambiente inicial
O pior: Que todo o filme seja tão descaracterizado e polido.

José Pedro Lopes

