«Cold War» por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

A Policia de Hong Kong recebe uma chamada anónima que informa que 5 dos seus agentes encontram-se sequestrados por um organização desconhecida. A segurança interna junta assim esforços para conseguir encontrá-los, mas existe a suspeita de um infiltrado na sede que os impede de tornarem-se bem sucedidos.

Cold War, primeira realização de Longman Leung e Sunny Luk, é mais um exemplo da escola de ação de Hong Kong, frenético e de um ritmo imparável capaz de fazer inveja a muitos filmes norte-americanos do género. Mas devido a tais ingredientes, a fita abdicou a própria sobriedade narrativa para conseguir transmitir tal hiperatividade. É que desde o início da trama somos remetidos a uma apressada “força” em chegar ao esperado climax, “saltando” introduções e rodeando o universo com personagens descartáveis e cameos, estes últimos com “guests stars” do cinema de Hong Kong (Andy Lau é um deles). Triste, porque Cold War parece ter estudado a sua abordagem, manuseando por entre uma estrutura hierárquica calculada ao milímetro, mas não totalmente eficaz.

Quanto à intriga propriamente dita, depois de lançada a tão cobiçada missão de resgate, eis que surge um cruzar de temáticas dissipadas pela prejudicial focagem na ação, onde Longman Leung e Sunny Luk garantem espetacularidade prioritária entre tiroteios, perseguições e confrontos verbais que relembram combates de boxe repletos de agressividade dramática.

Após inúmeras reviravoltas com garantias de um derradeiro twist final, onde nos é apresentado um vilão de “pára-quedas” que forçosamente integra o enredo, e umas quantas personagens descartáveis que não auxiliam de maneira alguma a carga dramática, esta fita de ação rege-se de todos os códigos dos congéneres de Hong Kong, entregando-se à automatização e elogios técnicos. Com prestações favoráveis de Aaron Kwok e do talentoso Tony Leung Ka-fai, Cold War é vistoso e barulhento, mas não é astuto como prometia.


Hugo Gomes

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