
O ator / realizador Sergio Castellitto adapta para o grande ecrã o romance da sua mulher, Margaret Mazzantini, intitulado de Venuto al Mondo (Voltar a Nascer, em titulo traduzido). Funcionando numa história algo minimalista e descarada sobre o conflito bósnio, reduzindo tal trama de relevância humanitária a um romance desleixado e constrangido, nem Nicholas Sparks se lembraria de tal coisa.
Mas o grande problema desta fita protagonizada por Penélope Cruz e Emile Hirsch, dois atores que se prestam aos seus papeis por via do overacting, não se encontra no seu rebuscado enredo, mas sim na sua narrativa desfragmentada e induzida a um amontoado de flahsbacks que definem meramente caos na fluidez da intriga. É uma infelicidade assistir ao mesmo realizador de Não te Movas (2004) e La Bellezza del Somaro (2010) a limitar-se a meros adereços e a uma direção de atores medíocre onde apenas é pedido explosões de emotividade a roçar o teatral. Se ao menos o filme em questão fosse um apelo à dramaturgia, mas não. Este é um pseudo-romance que impera pelo realismo mas cai no ridículo, começando por um inicio tosco e forçado (a maneira como os dois protagonistas “apaixonam-se” é de uma imaturidade constrangedora) até ao retrato de uma Bósnia estereotipada e ignorada.
Depois e para puro sofrimento do espectador, Voltar a Nascer arrasta-se por quase duas horas de duração num método operativo de “bater no ceguinho”, e termina de forma poética mas sem objetividade para o que acabamos de ver. Será possível que em pleno século XXI ainda retrate-se a Bósnia Herzegovina e tudo o que tragicamente se passou por lá em modo telenovela. Não existirá nada mais que somente “atritos” de “pacotilha”? Certamente que sim…
O melhor – O esforço da atriz turca Saadet Aksoy.
O pior – A risibilidade da trama.

Hugo Gomes

