Existe um novo fenómeno nos remakes norte-americanos que de certa forma passa despercebido pelo grande público, se não fosse essa a intenção. Os grandes estúdios norte-americanos logo após de serem informados da produção e sucesso de novos filmes (principalmente de terror) da América Latina compram os direitos e bloqueiam que o original percorra o resto do Mundo quer em circuito comercial ou em festivais. Assim, o espectador apenas tem acesso aos remakes hollywoodescos, “rip-offs” oportunistas que vingam graças à distribuição limitada da matéria original. Puro estratagema de rentabilidade com selo de predominância norte-americana o qual foram vitimas obras como We Are What We Are (cujo original e a “cópia” foram apresentados em Portugal nas duas últimas edições do MOTELx) e Silent House (La Casa Muda, ainda inédito em fronteiras nacionais), que é descrito como A Arca Russa do género do terror, constituído por um longo plano-sequência que compõe toda a narrativa do filme.
Dentro desta proposta narrativa de “tempo real”, deparamos então com mais um “home-invader“, sendo que este exemplo desenvolve para diferentes contornos. Porém, os trilhos até ao eventual twist são marcados por clichés, lugares-comuns e todo uma previsibilidade entediante e cansativa que se resume tudo a um jogo de “escondidas”. A chegada do clímax é assinalada então com um despacho deplorável da intriga onde a surpresa inicial dissipa-se instantaneamente e Elizabeth Olsen, que tem até ao momento transportado o filme às costas, desaba numa falhada invocação de dualidade.
A verdade, é que sente-se neste Casa Silenciosa uma tentativa de manufacturação abusiva e não a de criatividade, aquilo que poderia ser valorizado como um exercício de estilo é adulterado pelas intenções de mercado, ou seja é como copiar em folha vegetal. Esperemos que esta tendência de remakes não vire moda, porque isso seria o indício de uma eventual destruição da diversidade cultural e cinematográfica. Oportunistas é o que são!
O melhor – Elizabeth Olsen na primeira parte do filme.
O pior – um exercício de estilo copiado para supremacia de mercados

Hugo Gomes

