Adaptação de uma BD e Webseries da autoria do jornalista Nuno Bernardo, esta nova criação da beActive, produtora portuguesa que aposta nos mais variados formatos, tem o intuito primário de preencher um lugar vago no nosso panorama cinematográfica (catalogado como a primeira e genuína produção portuguesa de ficção cientifica), ou seja integrar num mercado pouco competitivo no ramo e ainda ilusório quanto aos parâmetros comerciais.
Com Susana Tavares e Marco Costa como contributos portugueses num elenco internacional, este Collider do irlandês Jason Butler remete-nos às temáticas das viagens do tempo e do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) para incutir mais um “survivor game” onde não poderiam faltar os habituais traumas dos personagens, as consequências e replicas dessas mesmas condições e os perigos ocultos que dificultam o caminho. Tudo isto origina um filme de estrutura “mastigada” e revista nas demais produções, mas a sua grande qualidade encontra-se na modéstia que demonstra. Collider não esconde as suas limitações, quer a nível técnico (mesmo que a fotografia seja sedutora), nível narrativo, nem interpretativos, ao invés disso integra tais num espectaculo ditamente série B e sem pretensões para além das comerciais.
Assim sendo, e resumindo, temos um singelo filme de ficção científica que nos soa como esforçado, mesmo que forçado perante o excesso de informação dada ao minuto e pela busca da complexidade argumentativa que se revela em autênticos “plots holes“. Fora isso, Collider destaca algo novo e insólito no nosso mercado cinematográfico, esperamos que esta “viagem no tempo” seja o início de novos e propícios tempos do cinema comercial português.
O melhor – Dentro da produção portuguesa é inédito
O pior – fora isso é um filme com todos os ingredientes mainstreams sem existir qualquer tipo de irreverência ou vitalidade.

Hugo Gomes

