«Camille redouble» (A segunda vida de Camille) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

As “Viagens ao passado” têm sido um tema que, de vez em quando, surge no cinema. Têm a particularidade de quando é uma mulher que regressa ao passado, se focar em sentimentos e amor (e.g. De repente já nos 30). Em Camille Redouble, a tradição mantém-se, ainda que com algumas particularidades.

Camille (Noémie Lvovsky) é uma mulher na casa dos 40, com uma carreira de atriz frustrada e um casamento terminado. O facto de não conseguir lidar com isso, leva-a a beber. De repente, depois de mais uma noite em estado ébrio, acorda num hospital, 24 anos antes.

A primeira particularidade deste filme, é o facto de a aparência dela não ter mudado, e com 16 anos aparentar 40 na mesma. Essa escolha ousada, prendeu-se pelo facto de ela se ver da mesma maneira, só os outros a vêm numa versão sweet sixteen.

Com o desenrolar do tempo, o filme cai no erro de empenhar-se maioritariamente em focar o relacionamento amoroso com o seu ex-marido, colega de escola na altura, Éric (Samir Guesmi).

Assim, a obra acaba por ser profundamente americanizada, até na banda sonora, ainda que com alguns traços filosóficos. Será o destino um fado (triste e inalterável), ou as decisões que tomamos mudam a nossa história futura?

A forma como filme abarca alguns desses temas é superficial e o final é profundamente preguiçoso, previsível e insonso. Para além disso, esta produção deixa ainda transparecer algum carácter autobiográfico, não fosse o filme realizado e protagonizado por Noémie Lvovsky. Talvez por isso, o maior destaque prende-se com a sua interpretação. Ela consegue humanizar Camille, dando-lhe maneirismos e criando uma personagem muito bem delimitada e completa.

O melhor: A interpretação de Noémie Lvovsky e as “salpicadelas” filosóficas.
O pior: O final preguiçoso, o excessivo enfoque no romance, e a música “One Day de Asaf Avidan” (foi como criar uma ópera e meter o Beethoven a tocar reco-reco).

Nuno Miguel Pereira

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