Desligados, de Henry Alex Rubin (o mesmo realizador do documentário de 2005 nomeado ao Óscar, Murderball), propõe uma viagem analítica aos perigos e consequências das novas tecnologias no quotidiano de cada um (os perigos da internet para ser mais especifico), mas ao invés disso concentra-se como um retrato à falta de conexão entre as pessoas.
Iniciada como o que propunha, Desligados tece-nos uma narrativa mosaico, quase digna do estilo Iñarritu, em que cada uma das intrigas entregues explora diversos factores e artifícios dessa mesma tecnologia: ora o entretenimento adulto visto como um escape à realidade, ao mesmo tempo visado como um negócio obscuro e de exploração; a dependência das redes sociais; e as influências nas relações humanas (há espaço para abordar o cyberbullying ou até mesmo a própria fraude cibernética). São vários os personagens apresentados e as situações decorridas em simultâneo que em momento algum deixarão o espectador aborrecido ou incrédulo perante a potencialidade dramática destas historias, servindo obviamente com excelentes desempenhos por todo os envolvidos.
Mas o verdadeiro clique nesta incursão sobre os perigos da internet e da sua gradual dominância na rotina de cada um, surge ironicamente na incutida ligação dos seus personagens, no contacto entre elas, na reação que estas manifestações geram, a perda dos teclados, do touch, do ecrã e a rede online, tudo em prol de uma mensagem mais subtil e óbvia; afinal há interação aqui. E é nesse preciso momento que Desligados transforma-se em algo mais simples que o pressuposto, um drama competente de incrível sensibilidade e de ligação terna. Claro que existe aqui algum moralismo “bonitinho” de se apresentar e uma sequência final retrospetiva tão sincronizada e ritmada como não viamos desde Magnólia de Paul Thomas Anderson. Não sendo claramente uma obra que ficará na memória e que vingará dentro da sua formula, Desligados é mesmo assim um retrato que merece ser visto, pois os humanos sempre sentirão a necessidade de “tocar“.
O melhor – o climax e a sensibilidade adquirida no final
O pior – apesar do profissionalismo da história, do elenco e de outros artifícios, Desligados é conduzido pelo moralismo e esquece por vezes o teor critico que poderia acentuar.

Hugo Gomes

