«Insidious: Chapter 2» (Insidious: Capítulo 2) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Ao entrar para Insidious 2 tinha algum ceticismo: é o segundo filme de James Wan (“Saw”) de 2013 e surgia como feito algo à pressa e estreando na sombra do fantástico The Conjuring- A Evocação. Apesar desta preocupação, a realidade é que Insidious 2 é surpreendentemente bom e eficaz – muito mérito de James Wan ser um absoluto especialista na hora de filmar terror e criar tensão.

Este segundo capítulo passa-se nos dias seguintes aos eventos do primeiro filme, recorrendo igualmente a diversos regressos ao passado para nos contar afinal quem é a figura sinistra que veio com Patrick Wilson do outro mundo (The Further), e qual a sua real ligação com esta família.

Por tradição, estas sequelas que tentam explicar todos os porquês oferecem respostas muito pouco satisfatórias e, no caso do terror, pouco assustadoras. Não é o caso: os segredos revelados por Wan aqui são coerentes e inquietantes e vêm apresentados com mestria visual e bom timing.

Aliás, essa é a nota dominante de toda a segunda metade do filme – quando Patrick Wilson toma o controlo das ações como figura de perigo com surpreendente vigor, e James Wan troca o filme de fantasmas pelo thriller claustrofóbico jogado em vários cenários e mundos. Insidious 2 assusta, mas é acima de tudo emocionante.

No entanto, por muito bem pensado que sejam as respostas dadas pelo argumento de Leigh Whannell (argumentista de “Saw”, “Dead Silence” e “Insidious”)  e por muito eficaz que seja James Wan a apresentá-las, a realidade é que Insidious 2 é um filme feito à pressa. A primeira metade parece uma repetição de várias ideias do primeiro filme e a narrativa parece não ter qualquer rumo (até que as personagens decidem ir procurar as respostas). Para além disso, todo o conjunto vem colado por pequenas coincidências ou ideias mal completadas (a forma como os dois filhos mais velhos surgem na reta final é do mais absurda possível em termos fatuais mesmo que seja emocionante), o que é uma pena.

Insidious tinha potencial para mais, James Wan filma cada vez melhor terror e Whannell tinha um punhados de boas ideias em como levar a história para a frente. Mas um filme feito em 12 meses acaba por desaproveitar estes talentos num conjunto pouco coeso. Insidious 2 chega a ter enormes erros de continuidade que não são habituais em cinema profissional.

Uma nota final para Patrick Wilson, um ator que vejo sempre com cepticismo: a partir do momento em que o “caldo se entorna“, ele domina o filme e surpreende pela positiva. Agora o medo que tenho dele é mesmo real.

O melhor: James Wan é um expert a criar terror e Patrick Wilson está à altura do desafio de antagonista.
O pior: Todo o filme parece feito à pressa.


José Pedro Lopes 

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