Nos últimos dois séculos a Música tem sofrido muitas alterações, tendo sido postos em causa a sua estrutura, tempos, harmonias, instrumentos e todos os elementos que são ou podem ser usados para fazê-la. Partindo de Cage, Jacqueline Caux faz uma viagem sobre a música experimental do século XX, passando pelo minimalismo, a electrónica e outros estilos tão diversos que deverá ser difícil encontrar quem os consiga apreciar todos. Mas que isso não sirva de dissuasão para se ver este filme: qualquer pessoa que goste de música será capaz de apreciar o trabalho apresentado e as entrevistas aos vários artistas, onde explicam como chegaram ao som que actualmente exploram e o que pretendem com ele. O exemplo específico, no meu caso, é o de La Monte Young, cuja música não é facilmente acessível, mas que ganha outra profundidade depois de o ouvir falar sobre ela.
Como em qualquer Arte, quando se fala em experimentalismo e “avant- garde” surgem por vezes casos que nos fazem duvidar de todo o projecto e querer recusar tudo o que assuma estes rótulos. Quando Meredith Monk resolve corrigir-se de “Joan of Arc” para “Jeanne d’Arc” ao descrever um dos seus trabalhos, personifica o pretensiosimo que esterotipicamente caracteriza este género e o seu trabalho não ajuda na destruição dessa ideia. Mas não permitamos que esses casos nos afastem do interesse inegável de Terry Riley, Steve Reich, Phillip Glass, Gavin Bryars ou Richie Hawtin.
Um filme que pode ajudar a abrir um mundo que é muitas vezes repudiado pela sua falta de acessibilidade, reforçado pelas atitudes de alguns dos seus participantes, e ajudar a descobrir dimensões desconhecidas para a música, apoiado nos discursos dos artistas e de Daniel Caux (musicólogo). Agora só falta convencer as pessoas a entrar na sala.
O Melhor: A estrutura música – discurso – música que permite ouvir a música de outra maneira, para lá do choque inicial.
O Pior: Com uma escolha tão abrangente, nem toda a música será fácil de ouvir.

João Miranda

