«The Captain and his Pirate» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Durante quatro meses de 2009, o Hansa Stavanger foi ocupado por piratas somalis em condições muito difíceis enquanto eram feitas negociações sobre o resgate a pagar pelos seus marinheiros. Durante esse tempo, a relação entre os marinheiros e os piratas era complicada, com alguns dos marinheiros tuvaluanos a participarem nas pilhagens que os piratas faziam sobre os contentores do barco, enquanto que outros se mantinham de parte, e com os piratas a disparar para o ar a “experimentar as armas” ou a simularem execuções para imprimir um sentido de urgência ao capitão alemão. Este foi sido posto em causa pelo resto da equipa, tendo encontrado-se isolado e acabando por formar uma amizade com o chefe dos piratas. Sobre essa relação desenvolveram-se algumas confusões que levaram, depois da libertação dos hóspedes, a que o capitão Krzysztof Kotiuk fosse despedido. Der Kapitän und sein Pirat é versão de Kotiuk dos acontecimentos, apoiados pelo discurso do chefe dos piratas na Somália.

Mesmo para quem não conheça ou não se lembre da história, este é um filme fascinante e dá-nos uma visão única sobre a pirataria moderna e as condições económico-sociais que a produzem. Infelizmente não é explicado o que acontece ao resgate que os piratas conseguem obter no final, mas o centro do filme é a relação improvável entre o capitão e o pirata e as diferenças entre os seus mundos. A oportunidade de ver a vida dos piratas somalis, num país em guerra constante, sempre a mastigarem khat (um estimulante natural semelhante à anfetamina) é o mais próximo que vamos poder chegar de percebê-los no cinema. A relação com o capitão ostracizado da sua tripulação dá uma dimensão humana a esta atividade que costuma reduzir-se ao estereotipo do “mau da fita” ou ao romantismo tonto.

O Melhor: O mostrar a vida dos piratas; a relação central.
O Pior: Não mostrar o que acontece ao resgate depois de pago.


João Miranda

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