Poder-se-ia fazer uma leitura cínica do programa Novas Oportunidades implementado no governo de Sócrates, mas Susana Nobre, que trabalhou nesse programa e decidiu filmá-lo, recusa uma leitura fácil de números e estatísticas de escolaridade. Vida Activa consegue, ao mesmo tempo que descreve e acompanha a implementação e a extinção do projeto, retratar uma parte da sociedade que sofre com o processo de desindustrialização que afeta Portugal ou cujas necessidades familiares impediram de ter uma educação mais prolongada. A discussão de qual a educação que deve ser dada ou quais as habilitações que devem ser trabalhadas não aparece aqui, o que está em causa é a tentativa de valorização e desenvolvimento pessoal pela construção de narrativas biográficas e o fornecimento de ferramentas básicas de expressão e cálculo.
É um filme que tem um equilíbrio muito precário entre a positividade do processo e a negatividade da desilusão e da economia que vemos encolher diariamente, mas que não procura mais do que documentar a riqueza das vidas que são constantemente afectadas por interesses e políticas económicos. Se há uma forma de pensar que sobrepõe a economia ao Estado Social e à vida das pessoas, Vida Activa é um ato de resistência, para lá das críticas que possam ser apresentadas ao programa das Novas Oportunidades, contra as políticas de austeridade que nos são impostas e que nos roubam o futuro pelos cortes na educação, saúde, segurança social e pela quantidade de jovens qualificados que diariamente saem do país.
Sem fazer qualquer julgamento a nível político e económico, Susana Nobre consegue fazer uma afirmação forte contra a Austeridade e a pequenez de muitos que a defendem.
O Melhor: O evitar julgamentos.
O Pior: O tom do final parece derrotista.

João Miranda
(Crítica originalmente escrita em novembro de 2013)

