«Carrie» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Como nisto dos remakes há quem seja mais papista que o Papa, há que criar introduções para uma crítica a um filme como Carrie (versão 2013) para esclarecer a nossa posição mais ou menos parcial. Como apreciador do livro de Stephen King, creio que o filme de Brian de Palma não é – de todo – estrondoso. Tudo bem que Sissy Spacek e Piper Laurie são arrepiantes, mas a realidade é que o terceiro ato do filme não faz justiça ao tom de tragédia que a história de Carrie White pedia. É um excelente filme de terror, sim, mas não é a abordagem mais produtiva da história. A sequela The Rage: Carrie 2, nesse ponto, até me surpreendeu pela positiva, mesmo que seja um filme bastante desequilibrado e derradeiramente insatisfatório.

Portanto, para mim Carrie até tinha a ganhar com um remake que o tornasse muito menos um filme de terror e de ambiente sinistros e muito mais uma história trágica de uma rapariga que não tinha uma saída feliz para o que a vida lhe preparou. À sua maneira algo adoelescente e dispersa, o novo filme de Kimberly Peirce (Boys Don’t Cry) faz justiça a essa minha vontade como leitor do livro de Stephen King.

Em Carrie, versão 2013, Chloë Grace Moretz e Julianne Moore dão drama e intensidade à estranha relação mãe/filha que domina a história, partilhando momentos de verdadeira tensão e desconforto emocional. Moretz, que por vezes parece excessivamente caracterizada, consegue dar a Carrie um lado mais humano e mais sonhador – e quando finalmente o baile de finalistas chega até acreditamos que este conto poderia ter um “happy end“.

Claro está que a história trágica de Carrie White não o permite e quando o terror entra em cena o novo Carrie remove o carater de vilão que a personagem tinha na versão dos anos 70 e o tom de terror dá lugar a um ambiente mais de filme de vingança. Nada fora do que eu interpretaria como o rumo certo a seguir para o filme. Toda a abordagem desta nova produção – que vai mais a fundo nas origens de  Carrie, do seu relacionamento com a mãe e que tenta criar real química entre Carrie e Tommy Ross – dá prioridade às personagens.

É curioso no entanto que este tipo de remakes se levem menos a sério do que deviam: Moretz e Moore enfrentam-se no final com um dramatismo impressionante mas, por algum motivo bizarro, o filme apresenta um susto final do mais MTV possível. Uma nota desagradável na hora de sair da sala, depois de uma atualização curiosa de Carrie.

O melhor: Moore e Moretz e o seu pequeno lar de horrores.
O pior: O idiota susto final.


José Pedro Lopes

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