Agora em modo Wikipédia, Jayne Mansfield foi uma sex symbol dos anos 50 e 60, não só pela sua ousada aparição na revista Playboy em 1955 mas pelas suas sensuais presenças no grande ecrã, sendo inclusive a protagonista do primeiro nu de Hollywood, em Promises! Promises! de King Donovan. Não era provavelmente a melhor das acrizes do seu tempo, mas o sex appeal que emanava arrancava suspiros ao público masculino e a criação das suas fantasias. Contudo, a imagem de Mansfield estabeleceu-se em consequência da sua precoce morte num acidente rodoviário que a vitimou aos 34 anos. A viatura onde a diva se encontrava é nos dias de hoje uma peça de museu, atracção visitada constantemente por milhares de pessoas como uma feira ambulante se tratasse. E são esses mesmos destroços que metaforicamente servem de argumento para este novo filme do ator e ocasionalmente realizador Billy Bob Thornton (Sling Blade), Jayne Mansfield’s Car.
O que tem em comum o acidente com o filme? É que ambos são autênticos desastres; o primeiro é um trágico infortúnio relembrado com tristeza por milhares e o segundo, um desastre dramático em forma de longa-metragem que de certo não será lembrado. O que deparamos nesta novela, tão “mexicana” como esses mesmos formatos televisivos, é um conjunto de personagens estereotipadas que pouco ou nada desenvolvem na trama, demasiadas situações abordadas da maneira mais leve possível e, o mais grave, um descomunal desbarato de um elenco de prestígio.
Entende-se que o filme escrito por Billy Bob Thornton e Tom Epperson seja uma incursão trágico-cómica de muitas das questões sociais que marcaram os EUA nos finais dos anos 60, usando o acidente de Mansfield como um reflexo dessa sociedade decadente ligada ao passado e sem tolerância para os novos tempos que são gradualmente profetizados. Porém, de cómico, apenas o involuntário, e as sequências de suposta intensidade dramática revelam-se “arrancadas” caricaturas e novelescas. Ou seja, para o espectador é rir ou sentir-se embaraado ao ver inúmeros atores de renome a sujeitarem-se a papeis tão elementares e risíveis e a um enredo que se arrasta numa coleção de lugares-comuns.
Em suma: Jayne Mansfield’s Car tem pretensões a ser mais que é e falta-lhe uma execução exata da intriga e dos seus personagens para resultar. É triste ver Billy Bob Thornton a vender-se ao telefilme sem fundamento de ser, e ainda mais ao mais assistir a tamanho desperdício de recursos. Um autêntico acidente cinematográfico!
O Melhor – Um Robert Duvall e um John Hurt em “versões de teste”, mas que mesmo assim se destacam como o melhor desta obra.
O Pior -Uma novela em formato reduzido, com todos os lugares comuns e matéria.

Hugo Gomes

