«Death Metal Angola» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

 

Quando se pensa em música em África, Rock não é a primeira resposta que nos vem à cabeça, menos ainda Death Metal, mas há um movimento de músicos em Angola que se dedica especificamente a esse tipo de música. Em “Death Metal Angola” vemos os esforços de alguns deles de se juntarem e organizarem um festival dedicado a esse estilo, mas o filme é sobre mais do que a música. Com o pretexto do festival e da música, Jeremy Xido, o realizador, explora a História recente desse país, com a guerra civil recente e as marcas ainda visíveis nas ruínas e nas minas que enchem a paisagem, bem como as incontáveis histórias trágicas de quem cresceu durante esse período.

“Death Metal Angola” é um daqueles documentários que, sob pretexto da música, consegue desenhar um mapa de complexas realidades que a alimentam. Filmado essencialmente no orfanato Okutiuka, uma organização não-governamental que se dedica a ajudar órfãos que lhes são entregues numa das regiões que mais foi devastada durante as guerras, o Huambo, e que depende essencialmente do trabalho da sua diretora Sónia Ferreira. É a paixão de Sónia e do seu namorado Wilker Flores pelo Rock que os leva a tentar organizar o primeiro festival de Rock. As dificuldades e os desafios vão surgindo e pondo em questão a sua realização até ao final, mas os dois persistem no sonho que têm, investindo parte do seu dinheiro pessoal.

Se bem que o estilo de música não me diga muito, a qualidade de alguns dos músicos é óbvia e a vontade de todos em participarem e criarem uma comunidade, centrada no casal Sónia e Wilker e rodeados pelas 56 crianças do orfanato, é contagiante e acessível a todas as pessoas que gostam de música, muito para lá de divisões musicais imaginadas.

O Melhor: O explicar o contexto, Okutiuka e Sónia Ferreira.
O Pior: Há um cair em clichés fílmicos para aumentar a tensão que não adiciona nada ao filme.


João Miranda 

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