Nada se cria, tudo se transforma! A verdade é que cada vez é mais difícil encontrar originalidade no cinema. Contudo, se partimos do principio que nada exposto na Sétima Arte é na totalidade algo único de raiz, até podemos considerar a plataforma como um “poço” de experimentalismos e combinações. A verdade é que a arte de contar histórias e de reutilizar elementos encontra-se “asfixiada”, sendo cada vez mais difícil encontrar um filme que não lembra outro filme, ou uma exaustão cinematográfica que pouco a pouco (já temos indícios disso) converte o cinema em modelos narrativos pré-formatados ou simples tributos de referências sem qualquer tipo de alma por trás.
Tudo isto tudo para salientar que a intriga de The Call (A Chamada), o novo produto de Brad Anderson, não é de todo criativo. Aliás, são muito os filmes com semelhante premissa. Porém, não é esse o principal factor em causa, mas sim a sua aplicação perante o material que serve de base.
Este thriller de consumo rápido remete-nos à base de operações do centro de emergências 911 (o equivalente americano da linha 112). No meio de tantas chamadas de emergência que ocorrem durante num dia, uma delas foi feita de maneira pessoal para a veterana Jordan Turner (Halle Berry). Um caso de uma adolescente sequestrada irá converter Turner numa cúmplice da vitima durante todo o seu percurso para o iminente desfecho. Fisicamente impotente perante a situação, a operadora sugere à jovem todo um plano de fuga, enquanto a própria tenta localizar a chamada em cooperação com a policia.
É nesta “corrida contra o tempo” que Halle Berry esforça-se para trazer alguma credibilidade à fita, cujo argumento mostra potencial mas que se apresenta debilitado em consequência de uma “força maior“. Tudo indicava um exercício de suspense em prol de um estilo narrativo, mas tudo se dissipa quando The Call se comporta exactamente naquilo que é e que não ousa em esconder. É que se o espectador fica intrigado com o dinamismo que o filme de Brad Anderson incute num jogo de evasão urgente, logo desilude perante absurdos à lá CSI ou então pela mudança brusca de tom perto do final, passando por um ensaio narrativo até à aspiração de um filme sobre psicopatas.
Trata-se de uma obra que trai a premissa com a sua forma e que transforma o seu potencial num conjunto de inverosimilhanças narrativas. Com isto, The Call é mais um thriller de pacotilha a marcar uma rotineira presença nas nossas salas.
O melhor – O esforço de Halle Berry e a entrega narrativa inicial.
O pior – a evolução da premissa e as inverosimilhanças envolto.

Hugo Gomes

