«Justin e a Espada da Coragem» por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

A espanhola Kandor Graphics, que em 2009 presenteou-nos com a curta de animação La Dama y la Muerte, que obteve uma nomeação ao Óscares da Academia, aventura-se agora na sua primeira longa-metragem, o qual ficamos desde logo avisados que em termos gráficos não inveja em nada os seus concorrentes norte-americanos.

Justin e a Espada da Coragem, de Manuel Sicilia, é uma alegoria medieval para criança ver, com os habituais toques humorísticos e personagens estereotipadas que fazem a alegria dos mais novos.

É a típica história da perseguição do sonho e da concretização pessoal, contudo este é um filme animado que reserva-nos algumas mensagens subliminares de uma certa irreverência que passarão despercebidos por aqueles que o equivocam com inocência (será?). Se não acreditam, ora vejamos; Justin e a Espada da Coragem, relata-nos uma alternativa Idade Média onde os heróis são os cavaleiros dotados de honra, que lutam contra as mais variadas injustiças do Mundo através dos ferozes golpes de suas espadas. Todo este reino termina com a chegada da ordem jurídica, ou seja juízes, júris e advogados que fazem cumprir as leis e restauram a paz quotidiana sem o uso de violência nem afins, são vistos aqui como figuras antagónicas e tirânicas. Com alguma atenção percebe-se o subliminar deste enredo, a opressão e a exaustão burocrática e judicial em eterna luta contra aqueles que se opõem a este sufoco social. É uma ideia pertinente, algo por vezes equiparado ao discurso do vilão de O Cavaleiro das Trevas Renasce de Christopher Nolan.

Mas, ficando longe destes ideias, mensagens subliminares entregues sob o jeito de inocência (ou talvez isto seja tudo fruto da minha imaginação), esta é uma animação construída a partir do modelo básico do seu género, por vezes demasiado leve e não muito acertado no humor ou na composição dos seus personagens. Contudo é Melquiades (com a voz original de David Walliams), um esquizofrénico feiticeiro, a tornar-se na personagem mais divertida desta trama.

O melhor – As loucuras do feiticeiro Melquiades e os gráficos de animação.
O pior – Tirando as mensagens subliminares é um típico divertimento para crianças com poucas pretensões no argumento.


Hugo Gomes

Últimas