Queer Lisboa: «Floating Skyscrapers» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Como é deprimente ver um filme dar muito de si para depois quase como desistir e decidir assentar no senso comum nas últimas braçadas.

Eis Floating Skyscrapers, segunda longa-metragem de Tomasz Wasilewski, que assina aqui um trabalho que, do ponto de vista de “mise en scène” e de composição  de personagens, é bem capaz de superar a restante competição deste ano no campeonato dos “coming outs” do Queer.

Se voltamos a ter invariavelmente jovens adultos bonitos e atléticos – um sempre mais que o outro, e se voltamos a ter a mesma história narrada (e vista já quer em perspetivas queer como straight, como um amigo meu bem me apontou), é bom que ao menos estejam envolvidos por trabalhos de realização tão curiosos como este, que saibam tão bem manipular o espectador.

Por falar em manipulação, pena é mesmo o desenlace final, quando começamos a acreditar deveras no seu potencial para ser mais “queer” que os restantes – copista, completamente telegrafado em retrospetiva (não vale a pena debater se é realista ou não, considerando a realidade polaca – não é bem esse o problema…) e aproveitador de toda a confiança que tinha gerado com tanta construção lenta.

Há finais ambíguos e há finais meramente frustrantes. Ainda assim, o que vem atrás é suficientemente forte para receber uma recomendação.


André Gonçalves 

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