Ao terceiro dia, estive quase para engolir algumas das palavras ditas no dia anterior, sobre o cinema “queer” masculino centrar-se geralmente muito mais nos “clichés” que o feminino. Quase. De facto, este georgiano “Chemi Sabnis Naketsi” (A Fold in My Blanket) é já um fortíssimo candidato ao título mais “sui generis” da competição ou até de todo o certame. Pena que esse seja mesmo o único aspeto positivo do filme, a par novamente da beleza dos protagonistas e de um ou outro pormenor cénico.
Os únicos “clichés” que aqui poderemos encontrar são meras referências a outros grandes cineastas (Lynch especialmente! Repare-se que até a banda sonora soa um pouco a Badalamenti… ).
As referências são de facto muito boas, mas o filme colapsa antes mesmo de começar efetivamente – se é que alguma vez começa! -, e não faz realmente nenhum sentido, com tanto acumular de metáforas ao ar, e as que fazem o mínimo dos sentidos, parecem-me bem ridículas para lá de qualquer minanço… Pena, porque com um pouco mais de sobriedade nas suas ideias, poderíamos ao menos ter uma curta interessante de 15 minutos. Com o quíntuplo desse tempo, não é que o filme aborreça por si só, mas o vazio de todas estas ideias desconexas é bem mais notável.

André Gonçalves

