Passaram-se oito anos desde que O Segredo de Brokeback Mountain trouxe o cinema queer para o mainstream, mas parece que foi ainda há mais tempo, dada a evolução que assistimos desde então. Ainda assim, há quem insista no formato cliché, e é difícil escapar ao pensamento que Free Fall é uma resposta alemã seis ou sete anos tardia ao já clássico filme de Ang Lee.
Quando o melhor que podemos retirar sobre o filme é afirmar que podemos de facto estar perante o par mais bonito do Festival (como um crítico na Berlinale soube afirmar), sabemos que estamos muito mal. De resto, a trama de Brokeback é replicada, quase a chapa 5 (e quando não é, é para bem pior… ), substituindo cowboys por polícias e pesca por jogging. Ah, e o “gay mais resolvido” desta vez não tem mulher e filhos, logo é mesmo resolvido e pode pressionar muito mais livremente o outro.
Fico absolutamente desencorajado a ver estes filmes. Não me interpretem mal: se estivesse eu próprio acabado de sair do armário e fugisse diretamente para uma sala de cinema, sem ver o original, e sem ver muito do cinema que se viu aqui nos últimos anos, talvez tivesse mais compaixão. Não estando nessa situação, deixo-me então a fantasiar este casal com as suas fardas apertadas, enquanto tento adivinhar os pontos-chave da trama. É verdade que o final, não querendo falar muito, tem aqui uma nuance mais… positiva. Mas não chega.
Adotando uma célebre frase de um político da praça para a negativa: “Fraquinho, pá“.

André Gonçalves

