Tentando apostar numa lógica de silêncios, algo nos antípodas do que Richard Linklater nos ofereceu na trilogia Antes do Amanhecer/Antes do Anoitecer/Antes da Meia Noite, justificando-se com aquela frase de algibeira, “Um silêncio vale mais que mil palavras“, Silent Youth é um filme cativante e frustrante em simultâneo.
Se os silêncios desconfortáveis exercem o seu fascínio, e se é verdade que as palavras estragam tudo, é curioso observar que o filme mostre-nos a validade/invalidade dos dois campos. Ou, por outras palavras: se no campo da gestão dos silêncios e das ações há aqui uma mestria indiscutível por parte do realizador Diemo Kemmsies, aqui apenas na sua segunda longa-metragem (apesar desta ser mais uma “média” estendida para “longa”, em boa verdade – são 73 minutos que por vezes se enrolam); por outro lado, quando estes dois jovens falam, a equação complica-se, gerando risos desconfortáveis ou até risos mais descomprometidos com diálogos aleatórios, tentando ao máximo captar um realismo com base nessa aleatoriedade que simplesmente não congela bem.
É certo que falamos de dois miúdos, e que há aqui um subtexto qualquer sobre uma doença social de um ou de ambos – o que torna o diálogo mais compreensível, mas ficamos a pensar se o argumentista/realizador Kemmsies, com algum historial de curtas-metragens e com um talento inegável na composição de imagens e gestão de tensões, não devia ter feito uma transição mais suave, tentado uma “curta” mais rica, cortando em muito o diálogo e também alguns silêncios e planos longos (aquele final… )

André Gonçalves

