«Blue Jasmine» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Há que separar o trigo do joio: dizer que Blue Jasmine é o filme menos usual de Woody Allen desde que filmou esse pico chamado Match Point, não deve querer dizer obrigatoriamente que seja o melhor – ou pelo menos o mais imediato… isto porque menosprezar postais cinematográficos belíssimos que enganem na espessura, como Vicky Cristina Barcelona, parece ser o prato do dia.

Dito isto, com a inspiração livre da obra de Tennesse Williams Um Elétrico Chamado Desejo, e contando com uma extraordinária Cate Blanchett (que com isto ganha praticamente livre passe para os Oscars do próximo ano) no papel de Blanche dos tempos modernos – uma dondoca enganada pelo marido em todas as frentes forçada a ir viver para a casa da sua irmã pobre que sai com a sua performance altamente humanizada -, o realizador e argumentista têm aqui motivos mais que suficientes para mais uma vez prender o espectador ao grande ecrã.

Se tudo gira em torno da personagem principal, e se a completa desorganização temporal mimetize bem o esgotamento desta, é pena que o registo cinematográfico seja ainda assim demasiado seguro e as personagens secundárias não estejam bem ao nível do que se passa na mente de Janette/Jasmine (mesmo sendo o menos reconhecível Allen em anos, perdendo os créditos com música jazz, lá está). E talvez por isso se saia com a sensação deste não ser propriamente mais que “o melhor Woody desde “Meia-noite em Paris””…

O melhor: Cate Blanchett
O pior: Demasiado conforto para uma história e protagonista tão desconfortáveis.


André Gonçalves

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