A Casa Branca é um símbolo de poder e em 2013 converteu-se para o cinema norte-americano no alvo favorito. Após termos assistido a Gerard Butler como um “homem de mil ofícios” que tem a iniciativa própria de “limpar” a residência presidencial de invasores coreanos, tudo embrulhado num hino ao patriotismo e supremacia americana por Antoine Fuqua (Olympus Has Fallen), passamos agora para a visão de Roland Emmerich, o homem que teve o mérito de já ter destruído tal imóvel numa das suas obras anteriores (que bem relembra tal feito neste seu novo produto). Ao contrario do seu primo afastado, Ataque ao Poder não gozou do êxito nas bilheteiras no seu país de origem, talvez prejudicado pela “mente não muito curta” dos espectadores em relação ao projecto de Fuqua. Contudo, garanto-vos, e mesmo sob as já eventuais focagens à bandeira e de todo aquele discurso patriótico e de emancipação norte-americana, que Emmerich até consegue aqui um agradável exemplar de ação.
Agradável com limitações, é claro, mas a verdadeira essência de toda esta destruição, este amontoados de tiroteios e perseguições é que Ataque ao Poder busca inspirações nas obras de ação “old school”, em particular o (na altura) inovador Die Hard – (1988), com Channing Tatum a mimetizar a própria imagem de Bruce Willis nos seus “verdes” anos, referências notadas no seu humor sarcástico, as situações de “puro azar” que já faziam parte do nosso John McClane e até a certa altura, na vestimenta do protagonista. Aliás, encontramos aqui mais de Die Hard que no quinto filme da franquia original, que estreou entre nós no inicio deste ano.
É verídico que este segundo assalto à Casa Branca é feito de uma forma mais entusiasmante e cativante que o anterior de Fuqua. Até na escolha das forças antagónicas, Ataque ao Poder é mais perspicaz, sendo que – ao invés de estrangeiros com ódio fervoroso aos EUA – temos a nosso dispor um terrorismo interno, onde se foca de leve questões bastantes pertinentes no rumo dos EUA nos dias atuais, quer militares (a militarização dos países árabes) e até sociais (o comércio de armas por exemplo). Porém, volto a referir e a sublinhar, esta abordagem é meramente ao de leve (para que não haja duvidas).
Sendo assim, o filme vai-se embrulhando em clichés e referências até transmitir um espectáculo mais que visto, previsível mas eficaz no final deste verão. Com um elenco capaz e esforçado mesmo sob as suas limitações, encontramos um Jamie Foxx como uma alusão a Barack Obama (nota-se no seu discurso algo carismático partilha com o atual presidente dos EUA) e James Woods (que saudades) a destacar-se no meio desta fantasia apocalíptica.
No final, e apesar de no final haver um certo cansaço narrativo, a nova obra do sr. blockbuster Roland Emmerich enverga-se como um competente filme de ação de grande orçamento, uma fábula inconsequente norte-americana para ser vista sem pretensões. Um explosivo guilty pleasure para que uma vez na vida consigamos “abraçar” o patriotismo cegante que afeta este tipo de produções.
O melhor -o tom “old school” principalmente nas referências a Die Hard e ser mais controlado em termos patriotas que o trabalho de Antoine Fuqua.
O pior – toca em assuntos pertinentes mas não sabe desenvolvê-los, mas… estamos a lidar com cinema de entretenimento para massas, não há tempo para reflexões sociais.

Hugo Gomes

