Com o sucesso amenizado obtido pela primeira adaptação da elogiada BD da DC Comics RED, da autoria de Warren Ellis e Cully Hamner, eis que surge inevitavelmente a sequela que não só oferece-nos mais do mesmo, como também é lamentável na entrega da sua intriga e no exagero que emana. O original de 2010, que nas mãos de Robert Schwenkte, gerou um filme de ação lúdico, que mesmo desequilibrado, era igualmente divertido e reunia um elenco de atores “old school”, todos eles com interpretações algo egocêntricas, confortava de certa forma o espectador.
A sequela volta a apresentar tais ingredientes que tiveram sucesso na obra anterior, mas o que sobreveio aqui foi mais uma das confirmações do estado cada vez mais degradante do cinema de ação hollywoodesco, preocupando-se mais em incutir energia que supostamente uma história com inicio, meio e fim. E é com todo esse ritmo imparável, a sucessão de personagens que surgem do nada, as situações sem profundidade e irreflectidas, as sequências de ação mirabolantes e totalmente desafiantes das leis da física e da lógica, que preceituam a Red 2 … imaginem só … a entediar.
Tudo porque mesmo sob esses requisitos necessários para um produto de consumo rápido com aquele “sabor” de silly season, o argumento que deveria comportar-se como a “coluna vertebral” da narrativa é praticamente desmantelado. Ou seja, as personagens interpretadas por atores de “cheques chorudos”, sem qualquer consistência como tal, possuem apenas propósitos automáticos como qualquer boneco unidimensional de um videojogo, mas nunca concentram-se inteiramente em prol do argumento. E sintetizando com linguagem de “gamers”: é como se RED 2 ignorasse o tutorial e passasse automaticamente à acção, sem objetivos definidos e pretendidos nem sequer noção para os demais, improvisando ao longo do desenlace.
Entre o exagerado e o ridículo, esta sequela ligeira tenta concentrar o interesse em revisitar os já revistos “fantasmas da Guerra Fria” e da ameaça nuclear como pretexto preferido. Premissa desaproveitada não apenas pelo “esburacado” e pré-construído argumento, mas como também na confrontação do tom mais cómico com a ação mais frenética (com o humor a sair mais entusiasmante que os tiroteios e perseguições). Para além dos reprovados do filme de 2010; Bruce Willis, John Malkovich, a sempre graciosa Helen Mirren e uma irritante Mary-Louise Parker a receber um prejudicial “spotlight”, juntam-se assim três novas aquisições que pouco ou nada acrescentem para além de luxo ao cartaz. Eles são Anthony Hopkins (a emanar como tão bem sabe o tom dual), o coreano Byung-hun Lee e uma inútil Catherine Zeta-Jones.
O Melhor – mesmo sob tal trapalhada, Helen Mirren sai imaculada.
O Pior – ação desmesurada com um argumento impotente e desleixado. Por fim não deixo de mencionar uma Mary-Louise Parker irritante e indevidamente destacada.

Hugo Gomes

