«World War Z» (WWZ – Guerra Mundial) por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

Foram preciso esperar cinco anos para finalmente assistir à transição do best-seller de Max Brooks, World War Z, para o grande ecrã sob a forma de um dispendioso e arriscado blockbuster. Foi meia década atribulada composta pelos mais infortunados e alguns até mesmo caricatos episódios, propícios para preencher as manchetes dos jornais e noticiários, entre os quais a badalada divergência entre o realizador (Marc Forster) e a estrela e produtor Brad Pitt. Os medias chegaram mesmo a falar em agressões e ofensas verbais. Adiado inúmeras vezes, World War Z finalmente estreia nas nossas salas, um universo de George A. Romero esterilizado, globalizado e acessível para as mais variadas idades, a verdade é que com o receio de vir a tornar-se num eventual fiasco de bilheteira (estamos perante no filme de terror mais caro de sempre com cerca de 190 milhões de dólares de orçamento), a Paramount decidiu cortar toda a violência gráfica e explicita para conseguir vender a fita ao mercado mais jovem, ou seja, nem vísceras nem sequer um pingo de sangue é derramado de forma gratuita. Até a série-sensação Walking Dead apresenta mais gore que isto, contudo não é devido a essas minúcias que a nova grande produção de Marc Forster (cada vez mais rendido à “esfomeada” industria de Hollywood) é no fracasso que demonstra.

Brad Pitt é um funcionário da ONU que perante um mundo devastado por uma epidemia virológica e qu embarca numa jornada pelo mundo fora em busca da “cura” que remediará este cenário apocalíptico. Apressado como os próprios “corredores mortos-vivos” que infernizam a vida do nosso protagonista, que acima de tudo conseguem sobreviver miraculosamente a todos os acidentes e incidentes possíveis (algo que fez lembrar e muito John Cusack no “grande” blockbuster 2012 de Roland Emmerich), World War Z é um filme oco transmitido apenas nas sequências de ação e do pseudoterror que emana.

Após termos assistidos a um primeiro ato no mínimo curioso, onde Forster demonstra com eficácia a rápida propagação do vírus, aludido a outros casos reais e modernos como a tão badalada Gripe das Aves e os efeitos contraditórios de um mundo globalizado, a fita recorre simplesmente ao movimento, ao um caótico cenário igualmente transposto na narrativa fílmica. Tudo se torna banalmente industrializado, com Brad Pitt (ausente) a autoproclamar-se como a única personagem que faz o espetador interessar-se (ou não), dentro de um leque de figuras resumidas somente a “carne para zombies”. Um filme-catástrofe emocionalmente nulo, indigesto e visualmente frenético. A saturação do universo das criaturas mortas-vivas de Romero começa por aqui.

O melhor – um filme de terror sobre zombies virológicos acessível para (quase) todos.
O pior – uma produção complicada que se nota num filme desequilibrado e vazio


Hugo Gomes

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