«Hyde Park on Hudson» (Hyde Park em Hudson) por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

Explorar a vida amorosa e mulherenga do 32º Presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, poderia no mínimo originar uma fita interessante. Se fosse bem concretizada, deteríamos então potencial material para Óscar. Contudo, não foi o que sucedeu com este Hyde Park on Hudson, inspirado na relação íntima do presidente com a sua prima distante Margaret “Daisy” Suckley, sendo este “sort of a” romance – baseado em cartas encontradas – uma obra insípida e demasiado fútil.

O filme de Roger Mitchell rememora-nos diversas vezes os tempos difíceis em que os EUA atravessavam a Grande Depressão, deixando marcas insustentáveis e a iminente entrada na Segunda Guerra Mundial, tendo como consequência uma criticada aliança com a Inglaterra, um ato visto para muitos dos patriotas uma ofensa às memórias da independência colonial. Porém, tal cenário apenas encontra-se presente somente em referências, meros tópicos nos diálogos, nada de relevante face ao verdadeiro objetivo da fita, o caso amoroso entre Daisy e Roosevelt.

Estamos assim diante um romance pasmatório que não sobressai perante a importância dos factos históricos que Hyde Park on Hudson invoca ocasionalmente. Além disso, Roger Mitchell parece dar-lhe uma importância excessivamente relevante, o que não é. Nesses termos, o espectador vê-se envolvido numa trama sem consequências dramáticas e nada desejada no cenário invocado. Tudo se torna ridículo neste “piquenique diplomático“, as “proezas” do filme são sobrevalorizadas e os desempenhos desperdiçados perante um academismo constrangedor.

Bill Murray, mesmo fraquejado com um argumento pouco certeiro e entusiástico, consegue ser o melhor que Hyde Park on Hudson tem para oferecer, num desempenho algo ambíguo e cómodo ao mesmo tempo, deixando de lado o estado de melancolia que parece ter contraído desde Lost in Translation de Sofia Coppola. São factos verídicos de credibilidade duvidosa sem pingo de controvérsia ou sentimentos afins, um verdadeiro impasse histórico em que os bastidores são mais interessante que a peça apresentada em palco principal.

O melhor – Bill Murray
O pior – um enredo desinteressante diante de um “background” crucial


Hugo Gomes

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