Confesso que apesar do mainstream envolto, A Ressaca foi para mim uma das comédias norte-americanas de grande produção mais originais dos últimos anos, tendo sido bem recebido pelo público e pela crítica. Dirigido por Todd Phillips (Road Trip, Old School), do qual não se esperava tamanha criatividade, The Hangover (2009) conseguiu render mais de 460 milhões de dólares mundiais, tornando-se numa das comédias mais bem-sucedidas de sempre, mas como estamos falando de Hollywood será escusado dizer que fórmula de sucesso igual a proveito máximo, por isso uma sequela foi imediatamente produzida e estreada dois anos depois do original com Todd Phillips de novo na direcção. A parte 2 arrecadou próximo de 600 milhões de dólares em todo o Mundo, superando obviamente as receitas do anterior, continuando assim a alimentar uma Hollywood “esfomeada” e preguiçosa em termos de ideias, assim sendo temos então o terceiro e provavelmente ultimo filme do franchising The Hangover, sabendo que grande parte das duologias se convertem em trilogias.
Enquanto o segundo filme foi um copy / paste autêntico, jogando pelo seguro a fórmula vencedora, já no terceiro tomo temos um filme completamente original (em certa parte), porém esquizofrénico a decidir se é comédia ou thriller negro, se quer ser divertido ou embaraçoso. Em The Hangover Part III já não existe casamentos, despedidas de solteiros nem sequer ressacas e Todd Phillips parece direccionar as personagens conhecidas da franquia para um filme completamente diferente, um spoof do cinema de golpe passando pela acção mais rotineira. Desaproveitando qualquer indício de criatividade e inteligência, a fita arrisca-se de tornar-se alvo de chacota perante algumas decisões directivas em agradar o público fiel do que propriamente construir uma narrativa fluida. Refiro evidentemente no protagonismo excessivo de Zach Galifianakis e de Ken Jeong, duas irritantes personagens que correspondem as favoritas dos espectadores mas que em doses exageradas embaçam demasiado a premissa, dando a sensação que o realizador deixou a câmara ligada perante tamanhos improvisos. O resto do elenco secundário pouco ou nada faz, graça ou nada têm, e ,pior, perfeitamente dispensáveis (nem o talentoso John Goodman escapa).
Comédia abusiva e vergonhosa, para além disso, A Ressaca – Parte 3 é da mesma classe de filmes que poderá futuramente ser condenada por uma só cena, e infelizmente essa mesma cena ocorre nos primeiros minutos de duração. Enfim, Todd Phillips nesta altura do campeonato já deveria ter a percepção do que é divertido ou não. Espero mesmo que tenha sido o último, porque chegaram claramente a um beco sem saída.
O melhor – John Goodman, apesar de tudo
O pior – (visto que tenho que nomear algo de muito mau), a cena inicial – pouco engraçada, nada criativa, mórbida, bem, puramente de mau gosto.

Hugo Gomes

