Tentativa do realizador guineense Flora Gomes em abordar o problema das guerras africanas de uma forma alegórica. A exemplo do clássico literário O Senhor das Moscas, de William Golding, o argumento do próprio realizador mais Franck Moisnard constrói um universo simbólico onde as crianças já não crescem e exercem todo o poder na organização social. Mas muito diferente da visão nada simpática de Golding, esse é um mundo bom e inocente, onde o único adulto permitido é uma espécie de “anjo” protetor, Dubem (Danny Glover).
É lá que vão cair de para-quedas cinco remanescentes de uma guerra qualquer africana – não nomeada para dar, justamente, um caráter de universalidade a este tipo de conflito. Composto por um adulto, dois pré-adolescentes e duas crianças ainda bastante imbuídas da violência e do trauma da guerra, terão que se readaptar interiormente para serem aceites neste lugar pacífico.
Essa contraposição entre mundo real e simbólico serve para produzir um espelho que, tanto sirva para demonstrar o absurdo da realidade, quanto invocar valores presentes no universo infantil e irrecuperavelmente perdidos pelos adultos. A integração dos belicosos recém-chegados é feita através de um lento aprendizado e, no caso do mais violento deles, o líder guerrilheiro Mons de Ferro, um verdadeiro mergulho interior que invoca o seu passado de dor, tragédia e morte.
Não obstante o visível esforço da produção, a bela música de Youssou N’Dour e a participação de Glover, “República di Mininus” é um filme irremediavelmente comprometido pelo amadorismo da direção de atores – que se torna particularmente grave por se tratar de crianças: todas elas parecem estar a recitar as suas falas.
O Melhor: Danny Glover, Youssou N’Dour
O Pior: o amadorismo da direção de atores

Roni Nunes

