A estreia de Rabbit Hole reflete bem o atraso descomunal das nossas distribuidoras em relação a produtos ausente da categorização de blockbuster ou puramente comercial, neste caso o atraso é de três anos. Porém não estamos a referir a uma obra praticamente desconhecida e sem quaisquer atributos comerciais, Rabbit Hole, que por cá incompreensivelmente se baptizou por O Outro Lado do Coração, apresenta-nos Nicole Kidman no principal papel (acredito piamente que existe fãs fervorosos da atriz no nosso país) e a marca registada dos Óscares da Academia, apesar de não ter triunfado em nenhum, estampada na fita (parecendo que não é continua a ser um dos mais eficazes atractivos cinematográficos), ou seja, tinha tudo para não ser um êxito estrondoso como é evidente, contudo não passaria despercebido ao público mais atento. Porém o tempo certo de Rabbit Hole já fora há bastante tempo, sendo que a sua estreia para meados do mês de maio faça com que se dissipe por entre as grandes produções de verão.
Dirigido por John Cameron Mitchell (Shortbus), a obra remete-nos aos dramas sofridos por um casal que tenta a todo o custo ultrapassar a trágica perda do seu único filho, Kidman e Aaron Eckhart desempenham assim esta cumplicidade algo distanciada que tece um clima desequilibrado e iminentemente sufocante. Rabbit Hole é uma fita bem concretizada em termos de direção, mas é no seu elenco que a obra apoia-se, compensando assim, uma enfase dramática demasiado sofredora e ocasionalmente sadomasoquista. Nicole Kidman, num desempenho nomeado ao Óscar, é notável em consolidar o sofrimento com a paranóia, enquanto Eckhart é subtil, confiante e por vezes explosivamente emocional, contrariando uma Dianne West numa personagem desconfortável, mas servida por uma ténue prestação.
Rabbit Hole é em todos os casos, um drama profissional e tecnicamente “certinho”, elaborado através de uma temática e exposição deveras interessante e gradualmente intensa, mas infelizmente e talvez muito em consequência do inexplicável atraso comercial, o filme John Cameron Mitchell não possui impacto, nem chega sequer à surpreender face à sua abordagem. Vale sobretudos pelas prestações!
O melhor – Os desempenhos, principalmente o de Nicole Kidman.
O pior – Alguém consegue explicar o atraso da chegada deste filme às nossas salas?

Hugo Gomes

