«Rabbit Hole» (Rabbit Hole – O Outro Lado do Coração) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Poucas atrizes têm a capacidade de encarnar personagens de sofrimento contido como Nicole Kidman. Basta que nos lembremos dos seus desempenhos em filmes como Os Outros, De Olhos Bem Fechados ou até Birth- O Mistério, para percebermos que muitas palavras passam pelo rosto de Nicole sem nunca serem ditas. Rabbit Hole – O Outro Lado do Coração não é excepção. 

A sinopse do filme não é particularmente convidativa a quem não aprecia dramalhões de fazer chorar as pedras da calçada. Um casal em crise tentar recuperar após perder o filho de quatro anos. Mas desenganem-se se acharem que o realizador John Cameron Mitchell optou pelo caminho mais fácil. Pelo contrário, o filme vai-se desenvolvendo com candura e o espectador vai começando aos poucos a descobrir o que aconteceu por ali.
 
Nisto, a fita consegue fugir aos clichés não trazendo uma conclusão simples e atabalhoada como já vimos tantas vezes. Temos o casal que se vai isolando cada vez mais, os amigos que se afastaram, os vizinhos que os convidam para jantar por cortesia, e claro duas pessoas que sofrem a perda de forma diferente, mas que tem de conviver sob o mesmo teto.
 
Embora o grande destaque seja a interpretação de Nicole Kidman como Becca, que lhe valeu justamente uma nomeação ao Oscar, há que destacar igualmente Aaron Eckhart, um homem tão perdido quanto a esposa mas que tenta manter a sanidade e a normalidade.

Um filme belo e simples sobre o casal abalado e dilacerado. A ver! 

O Melhor: A interação do casal Kidman/Eckhart
O Pior: Embora a contenção dramática seja uma das suas maiores virtudes, a falta de um ponto de ruptura acaba em última instância por prejudicar o próprio filme.


Carla Calheiros

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