«Deadfall» (Deadfall-A Sangue Frio) por Hugo Gomes

(Fotos: Divulgação)

Em 2008, Stefan Ruzowitzky adquiriu algum realce com Os Falsificadores (The Counterfeiters), pelo facto da sua obra, que emanava uma história algo inédita e desconhecida decorrida durante o Holocausto do 3º Reich, triunfar nos Óscares de Academia na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira, porém mesmo com tal distinção o filme encontra-se nos dias de hoje deveras ignorado. Contudo, como é habitual aos autores dos filmes galardoados com o prémio de melhor filme estrangeiro, é reservado um lugar em Hollywood onde tais realizadores tentam a sua chance em cinema globalizado, aproveitando assim o mediatismo daquele momento alto de carreira. No caso de Ruzowitzky, decide deixar para trás a Áustria sob ideais hitlerianos e vergar o thriller de ação com uma história sobre dois criminosos congéneres em plena fuga nos bosques gélidos do Canadá neste filme sorrateiro de título Deadfall-A Sangue Frio.

É certamente uma revelação decepcionante deparar que depois do parcialmente profundo Os Falsificadores, o autor resolva elaborar em algo tão despretensioso e ao mesmo tempo discreto como esta obra que parece reservar todos os ingredientes possíveis para os contrafeitos destinados ao circuito direto para home video. Mesmo não sendo merecedor da visualização numa sala de projeção, Deadfall-A Sangue Frio resulta como um thriller despreocupado onde Ruzowitzky, sem grandes enfases, faz uso do elenco e da própria intriga para nos trazer um projecto esquecível, mas não de todo desprezível.

Sem exuberância, o elenco é profissional com principal destaque para Eric Bana numa personagem ambígua que parece ter sido escrita como um prolongamento da sua prestação em Hanna de Joe Wright. Em contraste com o desempenho “acima da média” de Bana, Olivia Wilde fracassa, ao tentar transmitir “erradamente” a figura de anti-heroína. Por fim, temos os veteranos atores Kris Kristofferson, Sissy Spacek e Treat Williams a garantir algum requinte ao elenco secundário, conseguindo transcrever um determinado interesse num argumento pouco surpreendente. No caso deste, estamos perante um somente cruzar de clichés e lugares-comuns onde o autor evidencia as relações familiares para nos trazer uma incompreensível mas tolerável ponto de redenção que une todas essas “desculpas” esfarrapadas.

Parece que não foi desta que Stefan Ruzowitzky se vinga em “terras do tio Sam”, o qual não tiro o mérito de ser um ocasionalmente talentoso autor, mas ao invés disso preferiu prosseguir pelo cinema fácil. Deadfall-A Sangue Frio é um entretenimento passageiro e sem pretensões para mais, que apenas será destacado por ser apenas mais um estorvo nas estreias cinematográficas do nosso país.

O Melhor – O elenco no geral
O Pior – Tendo em conta o destino de muitas boas obras que se deparam diretamente no mercado do home vídeo, Deadfall não tem estofo para figurar entre as estreias nacionais.


Hugo Gomes

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