Filme simples, leve e eficiente sobre questões como obrigações filiais, luto e transformação pessoal. Heather (Louise Dylan) é uma pianista que acaba de perder a mãe, sendo obrigada a viver com um pai com o qual nunca teve uma boa relação. Na mesma casa vive o irmão fruto do segundo casamento dele – com quem a convivência é marcada pela franca hostilidade. Obrigada a conviver ao mesmo tempo com o luto recente e a enorme pressão de uma audição que lhe pode criar novas perspetivas profissionais e pessoais, Heather só tem de bom a amizade de dois estilistas/costureiros iniciantes e do DJ Toby (Michael Higgs) – com quem desenvolve uma amizade cada vez mais “colorida”.
O conflito central está longe de ser novo e gira em torno da chegada à vida adulta de facto (Heather já tem 22 anos) e os dilemas que incidem sobre respeitar as ambições da mãe que amava, ainda para mais de morte recente, e os desejos ocultos que vai descobrindo em si própria pela mão do novo amigo. Em termos de simbolismos, a música clássica aparece como o peso e a opressão da herança, enquanto a esfuziante música dos DJs como fonte de libertação.
Produção portuguesa filmada em Inglaterra que marca a estreia do realizador irlandês Mairtín de Barra nas longas-metragens. Beat Girl transita entre a singeleza estética e a ambição comercial, com a intenção de se construir um projeto que tanto possa ser internacionalizado quanto utilizado em diferentes meios – particularmente em cinema e televisão.
O resultado é uma obra sem grandes voos, mas que tem o mérito de, dentro de sua simplicidade artística, ser bem filmado, escrito e interpretado – ainda que com soluções para os diversos enredos a roçar perigosamente a lamechice e as facilidades das telenovelas. Não muda a vida de ninguém, mas também não perturba.
O Melhor: a eficácia com que concretiza a proposta
O Pior: sem maiores ambições, por vezes a sucumbir às soluções de telenovela

Roni Nunes

