«A Little Bit of Heaven» (Um Pedacinho do Paraíso) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Kate Hudson teima em não conseguir fazer boas escolhas para os filmes que protagoniza. Com uma imagem conotada com uma série comédias românticas de qualidade no mínimo duvidosa, Hudson precisa de um papel que a traga novamente à ribalta como nos tempos de Quase Famosos. Mas este Um pedacinho de Paraíso ainda não será este filme.

Desenganem-se todos aqueles que esperam encontrar aqui a habitual comédia romântica. Um pedacinho do Paraíso é um drama romântico não particularmente eficaz, que de vez em quanto ambiciona ser uma comédia. A história segue Marley (Hudson), uma mulher independente, com um sarcasmo a roçar o desagradável, e adversa a relacionamentos sérios e ao amor. Mas tudo na sua vida acaba por mudar conhece o Doutor Goldstein (Gael Garcia Bernal), o médico que acaba de lhe diagnosticar um cancro.

O tratamento de assuntos muito delicados e presentes na sociedade, como o cancro, vive numa linha muito ténue em que humor negro e o sarcasmo, podem facilmente resvalar para o desagradável e desapropriado. Isso ficou claro no recente 50/50, um filme que nunca abandonou a sua vertente cómica e que acabou por ser surpreendente eficaz. Em Um pedacinho de Paraíso é notório que era necessário inserir elementos dramáticos e cómicos, por vezes à pressão, mas o resultado deste contrabalanço acaba por não resultar em nenhuma das vertentes.

Para além disso, é notório o desperdício de um bom lote de secundários de onde se destacam Kathy Bates e Rosemarie DeWitt, cujo esforço para dar alma ao filme é notório. Igualmente de salientar que, embora seja um ator de méritos inquestionáveis, Gael Garcia Bernal não encaixa bem em comédias românticas, como aliás já o havia demonstrado no seu pequeno papel em Cartas para Julieta.

Na realização está Nicole Kassell, que em 2004 havia debutado com O Condenado, um intenso e tocante drama sobre um pedófilo que tenta retomar a sua vida depois da prisão. Um pedacinho de Paraíso é a sua segunda obra e após um longo interregno (o filme é datado de 2011) era expetável que o resultado fosse francamente mais positivo.

Sem ter um rumo definido sobre o que realmente pretende ser, Um pedacinho de Paraíso corre inclusivamente o risco de defraudar até os que esperam apenas uma comédia romântica domingueira.

O Melhor: Nova Orleães quando a vemos.
O Pior: O sketch com Peter Dinklage.


Carla Calheiros

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