Em 1950, Alan Turing definiu, num artigo sobre computação e inteligência, o seu agora famoso teste, relativo a Inteligência Artificial, que teve repercussões na área, mas também na Filosofia e na cultura popular. Já muitos foram os computadores autoconscientes que apareceram no cinema e já várias vezes foi explorado o limite da humanidade e da inteligência artificial. Em Computer Chess, Andrew Bujalski, realizador conhecido pelos seus filmes Funny Ha Ha e Mutual Appreciation, explora de novo esses limites numa comédia construída à volta de um torneio de software de xadrez.
Passado no início dos anos 80, Computer Chess é inicialmente construído como um documentário sobre este torneio, fazendo um retrato da época e da área, num momento particularmente otimista em que parecia que, com todos avanços tecnológicos, se estaria muito perto de uma grande descoberta na área (que acabou por não chegar, mas essa consciência só veio mais tarde). Os retratos iniciais das personagens são muito próximos da realidade que na altura se vivia na área, desde a falta de mulheres até aos fatos, penteados e a atitude, entre o continuamente assustado e o arrogante. É curioso ver agora, depois do geek chic, estes verdadeiros geeks (alguns deles nerds, mas deixemos a diferença de parte) e ver as diferenças entre estas duas construções. Mas não é exatamente esse o foco do filme, esse é apenas mais um elemento cómico.
Com o avançar do torneio e com várias tribulações que vão acontecendo, a comédia vai-se refletindo mais sobre a questão da inteligência artificial e da autoconsciência, no que tem sido nomeado como uma comédia existencialista, mas que me parece não atingir nunca esse ponto. É uma comédia menor, com menos piada do que se imagina e que acaba por nunca explorar a fundo as implicações de algumas coisas que avança, ficando-se pela piada fácil e pela falta de reflexão. Há algumas piadas que são geeks, como uma personagem entrar num ciclo infinito quando não encontra algo, mas essas apenas parecerão bizarras para alguém que não seja da área.
O Melhor: As caraterizações originais.
O Pior: A falta de profundidade.

João Miranda

