“Los Mejores Temas” não tem propriamente uma história já que, mais do que narrativo, parece interessado no processo de fazer cinema e no trabalho de actor. O contexto utilizado é o de um pai que regressa a casa depois de vários anos longe. Parcialmente improvisado (pelo menos dá essa ideia), os motivos de abandono e as várias reacções ao seu regresso variam de momento para momento. O filme está cheio de repetições, novos takes, improvisações, tudo sempre dentro do contexto proposto. O ambiente procurado é de tal modo casual que por vezes vemos técnicos a passarem à frente da câmara, equipamento e outras coisas associadas a um set de cinema.
O humor do filme, principalmente centrado em Gabino Rodríguez, é uma das coisas que o torna tolerável. Isso e o fascínio de ver as variações da improvisação, as reações dos atores perante algo inventado por um deles, a tentativa de o usar e explorar, o inventar mais e “devolver o serviço”. Mas tudo isso são pequenos factores que, apesar de ajudarem a suportá-lo, não o tornam num filme bom.
“Los Mejores Temas” é um trabalho inacabado, uma sessão de “jamming” entre atores, um meta-discurso sobre cinema. Tudo isso e também uma chatice. As cenas por vezes arrastam-se e esperamos que tudo possa ser recompensado no final, mas não. Saímos do filme como entrámos: sem saber nada sobre ele.
O Melhor: O Humor.
O Pior: A falta de objetivo.

João Miranda

