IndieLisboa 2013: «Francine» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Em “Francine”, Melissa Leo, que, depois de 2005, parece fazer uma média de dez filmes por ano, representa uma presidiária que conclui o seu tempo de prisão e é libertada. Logo nas primeiras imagens (depois da nudez gratuita e desnecessária da atriz) é-lhe vaticinado: “vai ser uma adaptação difícil”. E é. Francine procura emprego e continuar com a sua vida, mas parece não conseguir adaptar-se socialmente, conseguindo relacionar-se mais facilmente com animais do que com as pessoas que a rodeiam.

“Francine” é um filme sem surpresas, em que nem é necessário unir os pontos para perceber a figura completa. Ainda assim, com apenas 74 minutos, arrasta-se miseravelmente por situação constrangedora atrás de situação constrangedora, no que pode ser um magnífico trabalho de atriz, mas que acaba por ser pouco interessante de ver. Francine, mais do que dificuldade em relacionar-se, parece não ter vontade de o fazer, o que torna muito difícil ao espectador simpatizar com ela enquanto ela colecciona animais e vive em condições inacreditáveis, vai para a cama com homens e mulheres desconhecidos e recusa os avanços amorosos de alguém que a ajuda em todo o processo. Falta humanidade à personagem, falta perceber o que a está a impedir de querer avançar apesar de tudo o que lhe aconteceu e isso nunca é dito ou mostrado.

Com uma técnica suficiente, mas não brilhante, e com uma personagem central que não consegue atingir a humanidade, este filme não consegue sequer ser sofrível. Sim, o trabalho de Melissa é exemplar, mas exemplar de quê? Um bom trabalho de ator nem sempre se traduz numa personagem completa.

O Melhor: Há momentos interessantes, infelizmente poucos.
O Pior: Francine não é uma personagem completa, faltando-lhe humanidade.


João Miranda

Últimas