Simon é um norte-americano que, depois de um desentendimento grave com a sua namorada, vai a Paris procurar espaço para conseguir lidar com o que se passou. Eventualmente envolve-se numa relação com uma prostituta, Victoria, e propõe-lhe filmá-la com os seus clientes para os chantagear. Estão estabelecidas as bases para um thriller que poderia ter sido interessante, mas que não consegue nunca levantar voo.
Se não há nenhum problema com as representações, a de Mati Diop, que faz de Victoria, sobressai, dando uma base de credibilidade muito forte ao filme com a sua personagem, sensível sem cair no estereótipo da “prostituta com coração de ouro”. Os problemas do filme são a nível do texto e da imagem.
Se pensar cada plano e o cuidado com a fotografia são essenciais para o cinema, “Simon Killer” está cheio de sobrecargas visuais: separadores com cores e luzes intermintentes que me chegaram a preocupar, não fosse algum epiléptico estar na sala, reforçadas por várias referências verbais: Simon refere algumas vezes (vezes demais, entenda-se) que acabou de se formar e que publicou a sua tese sobre a relação do cérebro com o olho. Marianne, que Simon conhece na rua, tem uma condição nos olhos, nistagmo, que causa alguma perda de visão, etc. Todos os elementos relativos à visão e ao seu par alegórico, compreensão, são tratados de forma pesada e desajeitada e acabam por tornar o filme demasiado rígido.
O Melhor: Mati Diop.
O Pior: A forma desajeitada e pesada de tratar a visão/compreensão.

João Miranda

