IndieLisboa 2013: «Exit Elena» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

“Exit Elena” conta a história de Elena Petrovic, de origem balcânica, depois de esta concluir o curso de assistente de enfermagem, e mostra a sua tentativa de adaptação numa família disfuncional, onde é contratada para tomar conta de uma idosa, mãe do marido do casal. Reservada, Elena tenta desempenhar a sua função apesar da tentativa de Cindy (a nora de quem toma conta) de a integrar ou de construir uma intimidade entre elas.

Este é um daqueles filmes pequenos que conta uma história que podia ter algum interesse, mas que se perde nas peculiaridades das personagens que, em vez de contribuírem para as humanizarem, apenas as tornam difíceis de identificar ou de criarmos empatia com. Até Elena, que consegue a nossa simpatia inicialmente, perde-se mais para o final do filme em atos que nos parecem estranhos ou mesmo absurdos.

O problema deste filme não é, no entanto, o cair nas armadilhas do cinema independente norte-americano: é a sua mediocridade. Não defendo que todos os filmes pretendam ser obras de arte. A Pauline Kael, uma crítica de cinema influente, pô-lo melhor quando disse: “Movies are so rarely great art that if we cannot appreciate great trash we have very little reason to be interested in them”, mas a mediania com que se apresentam muitos destes filmes torna-se cansativa em festivais, quando se vêem filmes atrás de filmes e o que poderia ser uma sessão aceitável de cinema torna-se em mais algum tempo perdido.

“Exit Elena” não é um mau filme, mas também não é bom. Duvido que alguém o considerará o filme da sua vida ou que se lembre dele durante muito tempo depois de o ver. Não devemos confundir despretensiosismo com falta de ambição. Esperemos que, sendo o segundo filme de um realizador novo, os outros procurem mais.

O Melhor: Kia Davis como Elena.
O Pior: O perder-se nas peculiaridades, o não ir a lado nenhum.


João Miranda

Últimas