A palavra “chance” em francês tem duplo significado: tanto tem aquele sentido que lhe foi dado pelo título em português quanto é também sinónimo de “sorte”. Isso tem relevância porque a curiosidade desta comédia romântica é o extremo azar do protagonista, Julien Monnier (François-Xavier Demaison), com a singularidade de que os maus fluídos não são atraídos para ele – mas para as suas namoradas.
Diante de tal sina, fica difícil manter relacionamentos – mesmo sendo ele um conselheiro matrimonial profissional. Quando o conhecemos, está internado num mosteiro. A última e triste das suas aventuras foi com a designer industrial Johanna Sorini (Virginie Efira, recentemente vista nos ecrãs portugueses com outro filme do género, “O Meu Pior Pesadelo”), com a qual repetiram-se todos os transtornos de seus casos passados.
Os argumentistas não se preocuparam muito com o facto de todas as situações derivarem de um malogro supersticioso e não real, criando um filme cujo humor apoia-se nos acidentes bizarros das raparigas, no chefe afetadíssimo (a beirar o burlesco) de Johanna, Philippe Markus (Elie Semoun), e, obviamente, no inferno que um sujeito tão agoirento traz a ela, até então bem-sucedida profissionalmente.
Teoricamente um filme com visitas catastróficas aos sogros, confusões em restaurantes e corridas para o aeroporto seria de fugir – tantas vezes já se viu disto no (mau) cinema norte-americano. Mas o porquê desse filme muito leve também não perturbar talvez seja a sua total falta de excessos – seja na comédia, na “utilização” da sexualidade ou no romance pouco açucarado. Com um equilíbrio muito sóbrio de ingredientes já utilizados à exaustão, o filme consegue divertir sem causar úlcera a ninguém. Evidentemente que nada além disto…
O Melhor: uma história simples contada sem excessos
O Pior: para ver e esquecer rapidamente

Roni Nunes

