Filme que tenta conectar o mito do cangaceiro (espécie de “gangster” do sertão brasileiro imortalizado pela literatura do país) com a dura realidade das classes desfavorecidas da região.
O enredo intercala as histórias de José, que atravessa metade do Brasil para ir procurar dois irmãos que vivem entre Brasília e São Paulo, e Jacó, um vendedor de roupas itinerante que planeia um casamento com uma viúva. A de José tem mais tempo de antena: depois de ser assaltado logo na chegada, mete-se em mil peripécias, todas desagradáveis, até um desenlace previsivelmente inglório.
Enquanto desfilam situações de pobreza e vigarices de todos os géneros e feitios, o realizador Pedro Lacerda vai construindo um filme policial interligado com realismo social. O ponto de partida é absurdo (por mais ingénuo que fosse o protagonista, passaria pela cabeça de alguém ir procurar pessoas sem o endereço, apenas com uma foto antiga, em duas enormes metrópoles?) e, a partir daí, a coisa nunca se emenda.
Apesar do argumento insustentável e do amadorismo reinante, não deixa de ser espantoso que o filme consiga prender atenção durante vários momentos. Mas o estrago fica completo quando a mais interessante e bem-conseguida trama paralela (a do vendedor) é resolvida de uma forma onde não existe a menor sombra de uma coisa chamada “nexo”.
O Melhor: a história do vendedor ambulante; ainda consegue prender a atenção apesar de tudo
O Pior: o argumento, a realização, o casting

Roni Nunes

