Um sequestro mostrado da forma menos hollywoodiana possível, com um registo quase documental da vida dos quatro bandidos mais a sua vítima. No caso dos primeiros, trata-se de seu “filosófico” líder (vivido por Diogo de Abreu), do seu fiel assistente (André Dread), da namorada do líder e a adolescente Suellen (Nathalia Klein) – ambas as mulheres grávidas. O filme regista o dia-a-dia do cativeiro, onde todos estão incrivelmente calmos (até mesmo o sequestrado, um médico sujeito a diversas humilhações), enquanto se aguardam notícias do mundo externo – ministradas a eles (e ao espetacdor) em doses homeopáticas.
Ao desdramatizar uma situação potencialmente explosiva para lhe dar um “outro olhar”, o realizador Cristiano Requião não chegou a substituir o engodo por algo que possa, efetivamente, preencher um filme e acrescentar algo mais ao tema que aborda. A falta de recursos é agressivamente notória, embora isso nunca possa ser desculpa para a falta a má qualidade da história.
As personagens, à exceção da Suellen, ficam-se pela superfície – limitados às observações pseudo políticas do muito consciente chefe e os lugares-comuns das lembranças do médico, invariavelmente sorridentes e clichés. Já à “aventura” fantasiosa de Suellen, falta substância e sentimento que lhe dê uma envergadura maior, para que se consiga passar a ideia que se pretende – a de mais uma adolescente da favela perdida para o crime em função da sua dura condição social. Tudo embalado por uma das piores bandas sonoras de que se tem notícia.
E o final, ao que parece igualmente pensado para não causar nenhuma emoção, atinge plenamente esse objetivo.
O Melhor: alguns trechos do registo documental
O Pior: sem drama, sem história, sem quase nada

Roni Nunes

