Festin 2013: “Colegas” por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Três atores possuidores de síndrome de Down são o diferencial para este road movie “hollywoodiano” que recria as fórmulas das aventuras de descoberta com personagens infantis.

Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Brenno Viola) são pré-adolescentes órfãos (por morte ou abandono dos pais) que alimentam, cada à sua maneira, fantasias com as quais lidam com a sua situação. Um quer ver o mar, a outra pretende casar, o terceiro do trio gostaria de voar. Uma das suas singularidades é tomar conta da videoteca do centro onde vivem ao lado de dezenas de outras crianças com o mesmo problema. Por isso, quando decidem partir para viver uma aventura inspirada por um dos filmes favoritos de Stallone (“Thelma & Louise”), é natural que eles usem máscaras estilo “V de Vingança” e nomes de código extraídos de “Cães Danados” para cometer assaltos.

Mais do que à obra de Ridley Scott, no entanto, “Colegas” está mais para aventuras com crianças daquelas que dão livre autoridade ao argumentista para sacrificar qualquer princípio em termos de coerência e interligação entre os factos – a começar pelo plot inicial absurdo. Tudo no filme serve de pretexto para saltitar entre lugares e situações onde os amigos podem experimentar diferentes aventuras.

Junto aos clichés do género – que incluem dois policiais totós (Deto Montenegro e o português Rui Unas) no seu encalço –  as citações cinematográficas vão empilhando-se e dão alguma singularidade à narrativa, embora com resultados variáveis. Se entre outras fica-lhes bem a de “Cães Danados” e uma divertida brincadeira com a famosa capa de “Abbey Road”, onde os Beatles atravessavam uma passadeira, outras não tem qualquer nexo – como a piada com “Psycho”.

Apesar de tudo e por incrível que pareça, o filme até não carrega muito no açúcar e tem a sua graça ao passar uma mensagem de igualdade e contra o preconceito – sem sentimentalizar em demasia a condição dos seus protagonistas.

O Melhor: a mensagem de igualdade
O Pior: um amontoado de clichés apoiado num diferencial que não sustenta o filme


Roni Nunes

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