Festin 2013: “A Coleção Invisível” por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

 

Um conto sobre ruína, decadência e transformação de Stefan Zweig, escritor austríaco que viveu muitos anos no Brasil, ganha uma adaptação de Bernard Attal na sua obra de estreia.

Beto (Wladimir Brichta) é um DJ devastado por uma tragédia recente, que vitimou os seus melhores amigos e inviabilizou o seu negócio. Depois de fazer o seu luto silencioso e alheio ao que se passa à sua volta, decide procurar novos rumos para a sua vida. Lança-se então na estrada, viajando até uma pequena cidade do interior da Bahia à procura de uma valiosa coleção de gravuras que seu pai, já falecido, vendeu a um fazendeiro local, Samir (Walmor Chagas) – com o objetivo de revendê-las a um comerciante alemão. Ocorre que o dono das obras é um homem que não fala com ninguém desde que uma praga destruiu a sua plantação.

Enquanto vai pagando diárias no terrível hotel Palácio e enfrentando a rudeza extrema da mulher (Clarisse Abujamra) e da filha (Ludmila Rosa) de Samir, que o impedem de vê-lo, Beto vai entrando meio sem querer naquilo que vem a revelar-se uma viagem de autodescoberta.

Esta trajetória é sublinhada visualmente pelas bucólicas paisagens de um pequeno centro urbano do nordeste brasileiro, com a sua arquitetura colonial e as suas casas de pintura descascada, muitas abandonadas. Até chegar-se à resolução do mistério do fazendeiro os signos exibidos sugerem perda, tristeza e decadência. O final, ainda que dê para adivinhar, acaba por ter grande beleza simbólica, denotando um ponto-chave de transformação.

Beneficiando de uma construção social rica e realista, com ótimo elenco, o filme peca por algumas situações repetitivas que não acrescentam nada à história, para além de alguns maneirismos do cinema de autor (como a que opõe em dois personagens em cantos opostos no ecrã numa floresta). Última participação de Walmor Chagas no cinema, que teve uma morte trágica dois meses depois do término das filmagens.

O Melhor: uma história simples e muito bem contada
O Pior: cenas repetitivas e alguns maneirismos


Roni Nunes 

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