Misturar a experiência das telenovelas da Globo com as fórmulas de Hollywood tem sido um dos caminhos procurados pelo cinema brasileiro renascido das cinzas há pouco mais de uma década. A utilização destes modelos tem-se intensificado nos últimos anos, com melhores ou piores resultados. “Onde Está a Felicidade?” é mais um exemplo – neste caso a explorar o filão da comédia romântica.
Teodora (Bruna Lombardi) vive em São Paulo e apresenta na televisão um programa de receitas culinárias afrodisíacas, com uns conselhos matrimoniais à mistura. Nada de espantar que, por detrás das câmaras, o seu próprio casamento de 11 anos com Nando (Bruno Garcia) vá muito mal. Depois de surpreender o “relacionamento” virtual dele com uma mulher que se despe via Skype e fazer disto a tragédia da sua vida, ela decide embarcar numa viagem de auto descoberta e percorrer o caminho de Santiago de Compostela – onde vai formar um trio de estarolas com seu ex-chefe (Marcelo Airoldi) e uma amiga (Marta Larralde).
A manivela teria girado de “O Sexo e a Cidade” para “Comer, Orar e Amar” se a jornada de peregrinação fosse de facto a sério. Mas não é, pois este filme é bem-sucedido ao reproduzir o que existe de pior nos seus congéneres norte-americanos – que na maior parte das vezes não conseguem trazer alguma verosimilhança ou interesse a tudo aquilo que não sejam piadas ou gags. A salvação aqui é que muitas das situações cómicas são mesmo engraçadas – pelo menos aquelas que não são previsíveis nem completamente palermas.
Fechadas as contas, parece que a missão deste filme que glorifica o matrimónio é de celebrar umas bodas quaisquer da argumentista/protagonista com o realizador – Carlos Alberto Ricelli, com quem tem um relacionamento de mais de 30 anos. Esta é uma única desculpa para um final (interminável) que mesmo para o género abusa à grande da paciência de qualquer pessoa com algum sentido crítico. Está é a terceira vez que Lombardi e Ricelli repetem a parceria – depois de “Stress, Orgasms and Salvation” e “O Signo da Cidade”.
O Melhor: as situações cómicas com piada
O Pior: as situações cómicas sem piada. E todo o resto

Roni Nunes

