“La Migliore Offerta” (A Melhor Oferta), por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Giuseppe Tornatore será sempre lembrado por uma das mais belas homenagens ao cinema clássico, “Cinema Paradiso” – já lá vão 25 anos. E é novamente disto que se trata “La Migliore Offerta”, embora o tema não seja diretamente o cinema. Virgil Oldman (Geoffrey Rush) é um leiloeiro famoso e tão bem-sucedido na profissão quanto alheado do resto da humanidade. O que lhe interessa são peças, móveis, estátuas, relíquias e, sobretudo, quadros – particularmente os retratos de mulheres, que coleciona numa sala escondida do seu magnífico apartamento.

Para um sujeito assim, só mesmo uma mulher mais do que enigmática para tira-lo do seu território, tão misteriosa que nem sequer aparece. Claire Ibetson (Sylvia Hoeks, premiada no Festroia em 2009 por “De Storm”) é uma nova cliente que sofre de agorafobia em último grau, onde além de não conseguir sair de casa tem ataques violentíssimos de pânico cada vez que sente a aproximação de outro ser humano. A única forma que Oldman tem para contactá-la é através de uma porta que dá para uma sala interior da sua casa – onde ela passa a maior parte do tempo e só sai quando não existe mais ninguém por perto. 

A homenagem a Hollywood clássica, com os seus anti-heróis paralisados e obcecados por frágeis e trágicas heroínas, é mais do que óbvia – em especial com “Vertigo”, de Hitchcock, com o qual as semelhanças vão além de fobias e mulheres insondáveis para chegar-se ao reino supremo dos simulacros, onde um homem tenta reconstruir o mundo, através do seu amor à uma figura feminina, à sua imagem. 

O resultado disto tudo é um filme cheio de mistério e nostalgia, embalado pela música cheia de poesia de Ennio Morricone e enquadrado pela fotografia luminosa de Fabio Zamarion. A história é repleta de simbolismos inventivos – como os relógios e a reconstrução de um autómato do século XVIII. Para além disto, contar com Geoffrey Rush no elenco ajuda bastante – num desempenho, só para variar, magnífico. O argumento é ambicioso, embora não de todo satisfatório: o filme, com as suas reviravoltas, estica-se um bocado além do necessário, sem conseguir evitar desenlaces previsíveis e algumas falhas do enredo.  

O Melhor: Geoffrey Rush, o mistério da mulher que não se vê
O Pior: estica a história em demasia, não conseguindo evitar algumas falhas e previsibilidades

Roni Nunes

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